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domingo, dezembro 31, 2006

Solidão


Toda criança tem seu momento de solidão
Quando nada mais faz sentido em brincadeiras
As pessoas e as coisas lhes parecem
Como uma grande arte em contramão
Em silêncio absoluto
Ela não chora... muito menos ri
Tudo parece algo a ser repensado
Quando se está a beira do mar
Ou à beira de qualquer ocasião
Tudo denuncia o seu semblante
Em uma pitada amarga de negação.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Prosopopéias

Num instante, era eu quem queria fazer de conta que não ouvia. Num instante, era eu quem dizia, lá em tantas quantas, que o amargo me detinha. Num instante, era eu quem mal se referia a quem vivia de mancebia. E, num outro instante, era eu quem fingia e não sabia, que era você que me nomeava prosopopéia lá na cama e na cozinha.

sábado, dezembro 09, 2006

Repetições

Ligo o despertador. Pego trânsito. Vou ao banco. Pego fila [...] respira. Recupero senha. Pago contas. Pego o extrato. Ouço mentiras [...] respira. Vou à faculdade. Assisto aula. Faço pergunta. E na saída [... ] respira. Vou à pesquisa. Transcrevo fita. Analiso vidas. E, no fim do dia [...] respira. Pego trânsito. Ouço rádio. Compro pão. E cafeína [...] respira. Vou ao quarto. Pego sono. Chega dia. Dou bom dia [...] respira. Nas reticências, todo mundo "sai do eixo", todo mundo se desdobra.