Domingo, Dezembro 31, 2006

Uma pitada de solidão.


Toda criança tem seu momento de solidão
Quando nada mais faz sentido em brincadeiras
As pessoas e as coisas lhe aparecem
Como uma grande arte em contramão
Em silêncio absoluto
Ela não chora... muito menos ri
Tudo parece algo a ser contemplado
Quando se está a beira do mar
Ou à beira de qualquer ocasião
Tudo denuncia o seu semblante
Em uma pitada amarga de coração.

*Imagem: Menina na Praia, 1935. Desenho: Grafite sobre papel. Autor: Cândido Portinari.

Sexta-feira, Dezembro 15, 2006

Tornei-me prosopopéia

Num instante era eu quem queria fazer de conta que não ouvia. Num instante era eu quem dizia, lá em tantas quantas, que o amargo me detinha. Num instante era eu quem mau se referia a quem vivia de mancebia. E num outro instante era eu quem fingia e não sabia, que era você que me nomeava prosopopéia lá na cama e na cozinha.

Hoje até irei ao groove numa borracharia.
- Rimou...

Sábado, Dezembro 09, 2006

Rotting na rotina

Ligo o despertador. Pego trânsito, vou ao banco, pego fila... respira. Recupero senha, pago contas, pego o extrato, ouço mentira... respira. Vou à faculdade, assisto aula, faço pergunta, e na saída... respira. Vou à pesquisa, transcrevo fita, analiso vida, e no fim do dia... respira. Pego trânsito, ouço rádio, compro pão, e cafeína... respira. Vou ao quarto, pego sono, chega o dia, dou bom dia... respira...

Nas reticências todo mundo "sai do eixo",
Todo mundo se desdobra.
E se eu não te mereço?
Ê vida paçoca...

Quarta-feira, Dezembro 06, 2006

O Eterno Contorno.


Tenho uma natureza descabida
Cheio de preguiça
Que atola toda alma
E acidenta uma vida

Desejo e rebuliço
Que diante de um infinito
Vem você me diz aflito
Mero enfêrmo em desatino

Faz sem dó a lealdade
Que na rua e na coragem
Faz de mim um perdedor

Faz sem medo e safadagem
Que no prego e na brodagem
Diz a mim que sou amor.

*Dedico esse soneto cretino que acabei de compor a esses amigos da fotografia, amizade de berço...