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segunda-feira, outubro 29, 2007

Refluxos

fluxo
sem razão
refluxo
um pingo
suor no chão
hesitação
fluxo
coração na mão
refluxo
camisa encharcada
reles feito grão
cú também na mão
controverso
como um quase
disse não
fluxo
solidão
refluxo

quarta-feira, outubro 17, 2007

Escrever III



Eu não escrevo por escrever, muito menos por ter domínio nisso que faço. Eu sei do meu lugar e muito mais das minhas limitações, se escrevo é porque há sentido - a busca dele, há razão. Há aquelas coisas não ditas que suplicam sua existência em metáforas e não me sentiria bem, jamais, se não pudesse dá-las ao prestígio de terem asas como os pássaros que voam em qualquer direção. Não é de meu intento escrever sobre verdades intocáveis, tampouco provar sentimento para ninguém. Se haverá verdade, que esta se encerre em mim e aqui, em palavras que a boca limitada não tem coragem de dizer senão em figuras de linguagem balbuciadas em ambições de segredo. A boca não tem coragem. Quiçá, incompetência para tal. As palavras aqui soam como a vontade de Silas e seu violão ao entoar a "Sílaba Muda". Sílaba esta que é e será - em sua canção assim como em minhas palavras - sempre o nome de alguém e que não deve ser pronunciado em semelhança aos gritos de comerciante que anuncia a liquidação de seus produtos. Segredos foram feitos para ouvidos e bocas que fingem não ver. E se não há ouvido, a boca nem tem porquê e a quem dizer. Isso acontece e cá estou, e o sentido que aqui despejo, oras! Está nos olhos de quem lê... E continuo a dizer que não escrevo por escrever e o porquê um dia virá, cedo ou tarde.