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segunda-feira, maio 28, 2007

Pausa para Fernando Rego


"Em tudo há uma certa insanidade, principalmente na aurora, quando o desespero da privação e uma certa sabedoria acompanham seu surgimento. Ai, então, passamos a acreditar que o desenrolar das horas irá trazer frutos pluriabertos às nossas bocas sequiosas. A noite vem e nos encontra sentados, sedentos e suados na mesma poltrona e a crise, como se fosse uma anêmona, silenciosamente se aproxima. Necessário se faz evitá-la. Só nos resta escrever ou "por isso escrevemos", como diz Cioran. Revoltamo-nos então em palavras contra nós mesmos e nossos semelhantes."


Fernando Rego (1943-2005)



domingo, maio 20, 2007

Amizades


Nunca sabemos quem de amigo nos acompanhará até a velhice, até o fim dos nossos dias. Há pessoas que de tão especiais faz-nos questionar a própria dúvida. Umas vão e outras virão como alimentos perecíveis, mas estas ficam, persistem, telefonam para perguntar como está, investigam seu paradeiro. Sentem facilmente a sua falta. Passam de meros amigos para ser uma extensão do nosso próprio corpo vivendo alhures. Estas nós temos que cultivar, independente de nossas estações, de nossas intermitentes solidões. Por mais que nos sintamos algumas vezes,aquelas que da nossa solidão provocam um oceano de companhia, ficam conosco. Ficam... Só para ouvir nossas ladainhas e solucioná-las a contento. Na vida, não se ausenta à francesa diante destas. Elas sempre te ligarão exigindo intermináveis despedidas e não o deixará partir senão morto. Ainda assim, inconformadas e reclamando lamuriante a sua eternidade. Por outro lado, outras raramente notarão que você ao menos esteve presente.