Pairou uma confusão no fundo do nosso poço. Estive pensando e, talvez por isso, este texto também seja muito confuso, quiça somente bobo. Minha mãe certa vez me disse que o espírito do homem só vive por conta da necessidade de reconhecimento. É também alimento. A gente vive para ser reconhecido pelos outros. Fiquei matutando a questão. De fato, isso constitui algo elementar, talvez o mais, na construção da identidade social, diriam antropólogos nos jornais. Do ser aprovado, do ser lembrado, quiça admirado - sempre. Tudo isso de forma pública e notória, caso contrário, morremos de desgosto, não suportaríamos imaginar nossa tumba sem flores, ou vermos nossos corpos servindo a uma aula de anatomia nada especial, a não ser que fosse para demonstrar à humanidade que, através de uma prova orgânica, em vida tínhamos sido seres mais sofisticados que os demais. Muito menos imaginarmos sermos admiráveis (quanta petulância, ele-a se acha!) sem que ninguém reconhecesse isso em nós. Quantas HQ's e filmes de heróis servem para esta demonstração? Creio que todos. Certamente muitos fenomenólogos e hermeneutas não verão novidade alguma nisso, e realmente não há. Mas não quer dizer que não seja intrigante. Uma coisa incomoda alguns nisso tudo, a exemplo do chileno - quase um mito - Victor Jara, quando este faz referência ao ego efervescido que monumenta a confusão que criamos ao lidar com a busca do popular, do ser popular, e nos rendemos a uma série de vaidades. Popular para ele é uma coisa e popularidade é outra, acho que concordo. A certeza que fica é que essa coisa do reconhecimento é bem íntima desta última, e seduz até aqueles mais anônimos. E minha tese é que é ai onde mora a matriz da desigualdade. Cada dia que passa me sinto mais convencido de que é desses fenômenos que nascem os "modelos", aquele tipo de coisa que nós devemos seguir/sermos para não nos sentirmos ultrapassados e nem sermos auto-abandonados em uma sorte vagabunda. Acho que Foucault já constata isso há muito tempo em sua microfísica do poder - espero que não esteja lhe assassinando, penso até em reler. Mas ainda não sei se realmente quero ter minha tumba desertada e já nascida abandonada. Talvez queira usar minha capa de herói com forte odor de naftalina em algum momento mais oportuno.
*Já leu a HQ ou assistiu a sua adaptação no filme Watchmen? Vale a pena!
*Recomendo essa leitura sobre um baiano fantástico e realmente popular:
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