Segunda-feira, Maio 18, 2009

A confusão (versão Beta)

Pairou uma confusão no fundo do nosso poço. Estive pensando e, talvez por isso, este texto também seja muito confuso, quiça somente bobo. Minha mãe certa vez me disse que o espírito do homem só vive por conta da necessidade de reconhecimento. É também alimento. A gente vive para ser reconhecido pelos outros. Fiquei matutando a questão. De fato, isso constitui algo elementar, talvez o mais, na construção da identidade social, diriam antropólogos nos jornais. Do ser aprovado, do ser lembrado, quiça admirado - sempre. Tudo isso de forma pública e notória, caso contrário, morremos de desgosto, não suportaríamos imaginar nossa tumba sem flores, ou vermos nossos corpos servindo a uma aula de anatomia nada especial, a não ser que fosse para demonstrar à humanidade que, através de uma prova orgânica, em vida tínhamos sido seres mais sofisticados que os demais. Muito menos imaginarmos sermos admiráveis (quanta petulância, ele-a se acha!) sem que ninguém reconhecesse isso em nós. Quantas HQ's e filmes de heróis servem para esta demonstração? Creio que todos. Certamente muitos fenomenólogos e hermeneutas não verão novidade alguma nisso, e realmente não há. Mas não quer dizer que não seja intrigante. Uma coisa incomoda alguns nisso tudo, a exemplo do chileno - quase um mito - Victor Jara, quando este faz referência ao ego efervescido que monumenta a confusão que criamos ao lidar com a busca do popular, do ser popular, e nos rendemos a uma série de vaidades. Popular para ele é uma coisa e popularidade é outra, acho que concordo. A certeza que fica é que essa coisa do reconhecimento é bem íntima desta última, e seduz até aqueles mais anônimos. E minha tese é que é ai onde mora a matriz da desigualdade. Cada dia que passa me sinto mais convencido de que é desses fenômenos que nascem os "modelos", aquele tipo de coisa que nós devemos seguir/sermos para não nos sentirmos ultrapassados e nem sermos auto-abandonados em uma sorte vagabunda. Acho que Foucault já constata isso há muito tempo em sua microfísica do poder - espero que não esteja lhe assassinando, penso até em reler. Mas ainda não sei se realmente quero ter minha tumba desertada e já nascida abandonada. Talvez queira usar minha capa de herói com forte odor de naftalina em algum momento mais oportuno.


*Já leu a HQ ou assistiu a sua adaptação no filme Watchmen? Vale a pena!
*Recomendo essa leitura sobre um baiano fantástico e realmente popular:

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