Quinta-feira, Agosto 13, 2009

A união de quatro paredes

Escrever não é mesmo uma tarefa fácil, nem mesmo se feita dum modo radicalmente casual e descompromissada como tenho feito aqui. Opa! Desde já, denuncio persistente paradoxo. Se é tarefa, não poderia ser, de forma alguma, descompromissada. Não usarei o oportuno delete do meu teclado, deixarei esse suave deslize sob efeito da claridade... Recomeço... Escrever não é mesmo uma atividade fácil... Melhorou... Mas a sensação é de confusão. Hiatos, melhor dizendo. Tenho-os de forma bastante prolongada em tudo o que faço, não só aqui. Quando sinto vontade súbita de escrever coisa qualquer - como mero desejo de exercitar essa atividade, mesmo quando prestes a dormir, de repente, sinto-me com uma terrível sensação de que até para coisa qualquer eu já nem tenho o que dizer. Fico a pensar: ou estou me virando no próprio hiato, ou estou só forçando a barra e, portanto, deveria voltar a dormir. Parece uma vontade vazia, sem conteúdo, ela existe mas já nasce sem norte. É, vou dormir. Mas antes tentarei deixar um haikai aqui. Sim, vou forçar a barra mais uma vez, só por teimosia. Quero ter, novamente, a experiência besta de acordar de manhã, ler meu haikai forçado, na companhia de meu café, e exclamar aos risos: Que merda!

(Ele passa cinco minutos pensando na idéia central, sabe que quanto menor for, mais hábil deverá ser a síntese do pensamento, Concluiu que se meteu em enrascada, mas ainda assim escreveu, apagou, escreveu, apagou, no fim, lançou a rasura na gaveta. Que ele nem perceba que eu o expus aqui):
(...)
Pensando bem, melhor eu colocar de volta na gaveta.

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