Terça-feira, Maio 11, 2010

Nos últimos dias tenho lembrado do pensamento de algum antropólogo que não sei ao certo quem seja mais, talvez seja Levi-Strauss, talvez Geertz, enfim, não vou atribuir inicialmente a nenhum deles para não cometer alguma injustiça. Mas revela um pouco do algo que me passa. O pensamento revela algo mais ou menos assim, o antropólogo quando tem de passar muito tempo ausente do lar, da família e dos amigos, quando tem de a conviver com outros nativos por muito tempo, sendo engolido inteiramente pelo seu modo de vida, ao modo de uma canibalização simbólica. tende a nunca mais se sentir em casa mesmo retornando a ela. ele perde o sentido de lar, nunca mais tende a se sentir pertencente a algum lugar, e a algumas pessoas. Enfim, acho que há uma pitada de exagero nisso tudo, mas há também uma pitada de veracidade. Tenho sentido falta, às vezes, do meu lar e das pessoas de lá[não me encontro nele há algum tempo, e ainda vai demorar o meu retorno] contudo, tenho certeza que em meu retorno, ainda vou permanecer por muito tempo deslocado do tempo, do espaço, e das afetividades caseiras. Um pouco estranho, sinto-me.

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