Quarta-feira, Outubro 17, 2007

A Pena*


Eu não escrevo por escrever, muito menos por ter domínio nisso que faço. Eu sei do meu lugar e muito mais das minhas limitações, se escrevo é porque há sentido e razão. Há aquelas coisas não ditas que suplicam sua existência em metáforas e não me sentiria bem, jamais, se não pudesse dá-las ao prestígio de terem asas como os pássaros que voam em qualquer direção. Não é de meu intento escrever sobre verdades intocáveis nem provar sentimento para ninguém. Se há de haver verdade que esta se encerre em mim e aqui, em palavras que a boca limitada não tem coragem de dizer senão em figuras de linguagem balbuciadas em ambições de segredo. A boca não tem coragem, quiçá, incompetência para tal. As palavras aqui soam como a vontade de Silas e seu violão ao entoar a "Sílaba Muda"*. Sílaba esta que é e será - em sua canção assim como em minhas palavras - sempre o nome de alguém e que não deve ser pronunciado em semelhança aos gritos de comerciante que anuncia a liqüidação de seus produtos. Segredos foram feitos para ouvidos e bocas que fingem não ver e se não há ouvido, a boca nem tem porque e a quem dizer. Isso acontece e cá estou, e o sentido que aqui despejo, oras! Está nos olhos de quem lê... E continuo a dizer que não escrevo por escrever e o porquê um dia virá, cedo ou tarde.

Divagações ao som de Radiohead - House of Cards:

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* O trabalho da escrita segundo o Michaelis.
* Canção de Silas Giron.
Imagem: Forma Intangivel (Kátia Spagnol).

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