Segunda-feira, Dezembro 10, 2007

Esquivar-se à convivência

...Claro que todos nós somos evitados por alguém o tempo todo. Desafetos temos muitos, alguns ocultos, outros explícitos. Às vezes o desafeto emerge em mão dupla. Ora os dois não se suportam, ora é só o outro que dá de comer ao ódio acompanhado de um pouco d'água para saciar o estômago cheio. Onde deveríamos encontrar borboletas, encontramos o vazio ou a total vontade de nulificação. Mas o certo é que esta repugnância sempre há de ser controversa e pergunto, será mesmo vontade de nulificar o outro ou serão borboletas que insistem em enclausurar-se no estômago quando não deveriam estar mais ali?

Eu preferia jamais saber quem me detesta, sobretudo se for alguém de quem eu gosto e, ontem, enquanto me divertia fui interrompido por uma cena em que eu, involuntariamente, fiz o papel do diabo inconveniente, do diabo que deveria, ao menos, "enxofrar" um outro inferno. Eu até entendo que sejam decepções de quem esperava algo demais de mim. No começo eu era excesso no final eu era escasso, este foi o julgamento que fez de mim quando uma tristeza sazonal que eu sempre tentava esconder me arrebatava dela. Enquanto eu queria matar a saudade a energia que chegava em mim, pelo vento daquela corrente, era de que naquele espaço eu era uma persona non grata. Respeitei porque meu infortúnio nunca foi culpa dela. O que importa é que ela parecia estar bem feliz. Ainda bem.

Assim, voltando à peça teatral, o que costumamos fazer nestas situações é, no mínimo, se distanciar o bastante num mesmo lugar para que diminua consideravelmente a inevitável sensação de querer olhar um para o outro; e não notar a simples e (in)desejada presença para não se ver perdido em meio a acontecimentos que já são domínios do passado. O melhor a fazer é fingir que nunca nos vimos em nenhum momento dessa vida, reduzindo-nos a bons atores em palcos diferentes que renascem feito fênix por tantas e tantas vezes. Nas histórias de amantes eu já morri incontáveis vezes, sempre renascendo. Como diria meu amigo, velha-guarda, soteropolitano sertanejado e escritor poeta temporão, Hélio Barná - coração é um bicho besta que só a peste. E assim pensam o seres que pensam e assim agem justamente porque pensam...

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- Este blog ficará suspenso, ou, no máximo, mais ocioso a partir daqui porque estarei me dedicando mais ao meu outro e não menos pretensioso, Romance de Campo, que infelizmente é de acesso restrito e também nem posso dizer por quê.

2 comentários:

Luna disse...

comentário para a nota de rodapé:






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hahahahahahaha.

Luna disse...

um cara lá na roça disse: o que não falta no mundo é pau seco e gente besta.
e Marx no mundo se equivocou, se enganou de luta, e era pra ser assim o reclame: corações bestas do mundo unamo-nos!


:acordei um pouco menos pessimista.