Domingo, Junho 22, 2008

Amor de inverno

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Quantos graus valem um inverno, eu não sei. Dizem que invernou aqui mas não do tipo acentuado, bem definido, eloqüente, tremelicado. Somente um friozinho daqueles convencionados.
- Mas no sul faz frio!
- Mas tamo no nordeste abestada!
- Mas em alguns lugares do nordeste também faz frio!
- Mas, mas, mas... Pensando bem... Mas nem tanto!
Sentimos só um frio tropical descamisado, isso eu sei. É tempo do papinho gostoso pretextado, daqueles por demais (in)delicado. Quer um exemplo? Filme, chocolate-quente, janela de vidro empanado. Lá nas tantas, pausa para xixi. Corre-corre, mexe-mexe, pula-pula, vasilhão de pipoca.
- Nego! Cê esqueceu a coca!!!
- Xiii, ora bolas! Tô relaxado. Vou num pé, volto no outro!
Entre risos
- abestalhado!
Volta correndo, ameaça de lá
- Se demorar, vou despausar!!!
É disso que falo que vale o nosso quente inverno acostumado. E não importa, ainda ficamos pelados num zum-zum de ar condicionado. Debaixo de um bom cobertor nesse friozinho convencionado, tá rebocado, há de haver calor e não importa qual tipo de amor. Se do certinho ou do safado, humano danado sempre arranja um jeito, em qualquer estação, de sentir o gostinho de ser amado. Mesmo que daquele tipo falsificado.

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