Nem sempre quando escovo os dentes sinto sensibilidade acentuada na língua. Há fases que por mais que passeie suavemente os fios da escova pelas papilas, a iminência de refluxo teima em acontecer. Julgo, por quase constatação, ser uma fase em que o corpo está mais sensível a todo tipo de toque. E o pensamento se aproveita dessa estação. Não é à toa que são nestes momentos em que atualizo e penso meus escritos. Pois sempre tenho algo a dizer sobre o que sempre teimo em esconder. Noutros momentos, nos quais chego a ferir, sem notar, meu aparelho lingual, fica bastante evidente: é quando não sinto nada. Nem da minha língua nem do nosso mundo.
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2 comentários:
Mandou bem!!!
Muita sensibilidade oral.
Já li em alguma revista por aí: a boca abre as portas para a intimidade... com o outro.
É com o outro que (des)construimos nossa linguagem, nossos signos e nossos (des)interesses cotidianos...
A língua, ou a Língua, muitas vezes não serve nem para falar.
abs,
e.mal
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